Por Milton Júnior
Tema: Não julgar premeditadamente as pessoas.
Objetivo(s): Advertir a Igreja a não proferir nenhum tipo de julgamento destrutivo às pessoas segundo a superficialidade da nossa percepção e incentivá-la a depender dAquele que tudo julga retamente.
Introdução
Uma breve pesquisa sobre a palavra “julgar” nos mostra que este ato significa, dentre outros significados: separar; fazer distinção; exercer julgamento; estimar; assumir poder sobre algo ou alguém; e, o mais interessante, chamar para um acerto de contas...
Isso implica dizer que quando julgamos algo ou alguém de maneira temerária, sem o propósito e método bíblicos adequados ao exemplo de Cristo estamos tentando ousadamente usufruir de um direito exclusivo e soberano pertencente a Deus; é o mesmo que dizer que Deus não é capaz de fazer o que Ele mesmo disse que faria! Observemos o Salmo 9 e meditemos um pouco no eloqüente louvor que o salmista dedica à justiça universal do Senhor. Devemos deixar bem claro, obviamente, que os filhos de Deus não vivem sem discernir as circunstâncias da vida e as melhores companhias; nós apenas não andamos segundo as influências deste mundo, verificando todas as coisas segundo os critérios das Escrituras.
A mensagem de hoje baseia-se quase que completamente nas palavras de Cristo registradas nos evangelhos, dentre os quais citamos:
I. Mateus 7:1-5
· v.1: Quem julga ao próximo abre igual oportunidade de receber o mesmo tipo de julgamento para si mesmo. Quem julga com dureza será julgado com dureza, quem julga com misericórdia será julgado com misericórdia. Apenas Deus tem a perfeita perspectiva das intenções e dos acontecimentos para julgar de acordo com a Sua impecável justiça;
· v.2: Já experimentamos nos julgar a nós mesmos segundo nossos próprios critérios para sabermos se passamos no “teste”?
· v.3-4: Quem perde tempo observando as falhas dos outros não encontra nenhum para reparar as suas próprias;
· v.5: Quem julga as outras pessoas com um intuito depreciativo dá prova de repreensível arrogância e nunca foi um exemplo naquilo que presunçosamente exige. A Bíblia não nega que alguém piedoso possa auxiliar seus irmãos, contanto que já tenha superado seus próprios pecados.
II. Marcos 4:21-25
· v.21: Nós somos a luz neste mundo e devemos iluminar as almas, não cegá-las com críticas tenebrosas ou imprecações obscuras; devemos conduzi-las, não desapontá-las. Se nós, os filhos de Deus, não pudermos dar bons conselhos aos outros, quem o fará?
· v.22: Nós devemos revelar a glória das virtudes divinas e levar esperança à escuridão de vidas perdidas, sofríveis e desesperadas. Se não nós, quem? De que modo? Pelas Escrituras e pelo Espírito Santo. Não devemos julgar o incrédulo também, mas tratá-los com igual amor pelo exemplo do nosso Mestre;
· v.23: Nós temos esses ouvidos que “ouvem” ou estamos surdos para o Evangelho? Damos mais atenção à maledicência do mundo ou ao louvor das coisas santas?
· v.24: A irônica conseqüência de praticarmos o julgamento malicioso, incentivando outros a fazerem o mesmo, é encontrá-los sempre dispostos a nos ferir também de forma ainda mais dolorosa com suas línguas pontiagudas e envenenadas... As mesmas línguas que outrora amolamos e envenenamos. Quem hoje nos ajuda no mal, amanhã nos atrapalhará no bem;
· v.25: O julgamento maldoso incorre em perdas de bênçãos e galardões.
III. Lucas 6:36-38
· v.36: Nossa atitude de misericórdia deve ser manifestada sob o padrão de Deus, não sob a medida da limitação humana. É muito interessante notar que freqüentemente rogamos a Deus justiça para os outros e clamamos misericórdia para nós mesmos;
· v.37: A versão Revista e Corrigida oferece a palavra “soltar” em lugar de “perdoar”; então, cabe esta pergunta: Quem pode estar preso nas amarras de nossa língua maldizente? Talvez, possa ser alguém que nos ofendeu em qualquer coisa e temos dificuldade em perdoar genuinamente; daí, o chicoteamos com nossa língua furiosa até estarmos satisfeitos de pecado. Qual a solução, então? Perdão, simples e transparente! O mesmo perdão com que Deus nos perdoa!
· v.38: Se usarmos de bondade para com os outros em nossos julgamentos isso nos será recíproco. Não se trata de bajulação ou de fazer vistas grossas aos pecados alheios, mas de honrar ao próximo e ser naturalmente honrado por ele. Precisamos entender que Deus fará o Seu trabalho, nós apenas cremos e nos submetemos ao Seu agir no tempo exato determinado por Ele. Eis uma semeadura bem-aventurada!
OBS: Sobre a ilustração de João 8:1-11 – A mulher adúltera: [1] Que justiça pode justificar a distorção da própria Lei de Deus em prol da mentira e da maldade? [2] Todos os seres humanos têm a mesma consciência pecaminosa e necessitam em igual porção da graça divina, independentemente de raça, sexo, classe social ou religião. [3] A atitude de quem julga geralmente destrói e mata, mas a atitude de Cristo sempre salva e edifica. Sobre Tiago 4:11-12 – [1] Quem pretensiosamente julga os outros considera-se superior à Lei de Deus e [2] quem de tal forma se considera cai no pecado de rebeldia, desejando ser maior do que o autor da Lei sagrada julgando em Seu lugar; devemos relembrar que esta é uma exclusiva prerrogativa do SENHOR, quem não o reverencia como o legítimo Juiz do universo faz-se tão rebelde quanto Satanás!
Guardemos no coração e ponhamos em prática as palavras do apóstolo Pedro:
I Pedro 2:21-25
“[21] Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, [22] o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; [23] pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, [24] carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. [25] Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo da vossa alma”.
Que o Senhor nos permita viver de modo digno do Seu evangelho.
